Aqui está a história baseada no seu relato:
Desde o momento em que anunciei meu casamento com Arthur, o mundo ao meu redor começou a sussurrar. Eu tinha 24 anos e ele, 65. Uma diferença de 41 anos que, para qualquer pessoa de fora, tinha apenas uma explicação: a imensa fortuna que ele havia construído no mercado imobiliário.
E, se eu fosse completamente honesta comigo mesma, eles não estavam totalmente errados. Eu vinha de uma realidade difícil, acumulando empregos mal pagos e noites sem dormir por causa de contas atrasadas. Arthur era viúvo, solitário e incrivelmente rico. Quando ele me propôs casamento, vi ali uma saída de emergência para a minha vida financeira. Nos casamos em uma cerimônia discreta.
Durante os cinco anos que passamos juntos, fui a esposa perfeita. Acompanhava-o a jantares de negócios, cuidava da casa e garantia que ele tivesse todo o conforto possível. No fundo, eu sentia que estava cumprindo um contrato não escrito: eu lhe dava minha juventude e companhia, e ele me garantia estabilidade.
Até que, no mês passado, o coração de Arthur parou.
O funeral foi frio, frequentado apenas por alguns sócios distantes e parentes que mal olhavam na minha cara. Eu me mantive firme, usando um vestido preto impecável, pensando que o pior já tinha passado e que, finalmente, a herança mudaria o meu destino para sempre.
No dia seguinte, fui convocada ao escritório do Dr. Bernardo, o advogado de longa data de Arthur. Sentei-me na cadeira de couro, esperando a leitura do testamento, imaginando números com muitos zeros. Mas a mesa do advogado estava vazia, exceto por uma caixa de madeira escura, gasta pelo tempo.
O Dr. Bernardo olhou para mim por cima dos óculos, empurrou a caixa na minha direção e disse com uma voz neutra:
“Ele garantiu que você recebesse exatamente o que merecia.”
“Ele garantiu que você recebesse exatamente o que merecia.”
Meu coração disparou, misturando ansiedade e um súbito frio na espinha. Com as mãos trêmulas, puxei a trava de metal e levantei a tampa.
Lá dentro não havia escrituras de imóveis, apólices de seguro ou barras de ouro. Havia apenas dois itens: um diário antigo e uma chave dourada.
Peguei o diário. Abri na primeira página e reconheci a caligrafia firme de Arthur. A data era o dia do nosso casamento. Comecei a ler o primeiro parágrafo:
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